Versão piloto do Mapa de Ruído é lançado durante o Inad SP 2018

Disponível no Google Earth, a nova ferramenta de gestão urbana também ajuda na tomada de decisões como alugar um escritório ou uma casa. Desenvolvido pela ProAcústica, o mapa encontra-se em fase piloto, abrangendo uma área entre as avenidas Paulista, Brasil, 9 de Julho e 23 de Maio. Neste perímetro foi calculado o ruído de tráfego urbano no período diurno e noturno.

Uma das grandes atrações do Inad SP 2018 – além do Manifesto do Silêncio, o Decibeto e a estátua viva irritada com o barulho – foi o lançamento do Mapa de Ruído Urbano Piloto de São Paulo. O mapa, enfim, foi para a rua, no sentido literal. Estava exposto em duas versões, diurna e noturna, no video wall na calçada da avenida Paulista durante o Inad, foi para a TV, os jornais e até a rádio teceu comentários acerca da mais nova ferramenta de gestão urbana para a cidade. “Mais do que isso”, lembra Juan Frias, engenheiro de acústica pela Universidade Politécnica de Madri, coordenador do Comitê de Acústica Ambiental da ProAcústica, “com o mapa de ruído disponível em plataformas como o Google Earth, qualquer pessoa pode usar a ferramenta na tomada de decisões como alugar um escritório, uma casa ou, até mesmo, reservar um quarto de hotel, em São Paulo”.

Há alguns anos, entidades como a ProAcústica vêm trabalhando no sentido de sensibilizar a população para o problema da poluição sonora, ao lado de entidades setoriais, organizações da sociedade civil e governamentais e veículos de comunicação. Um dos resultados dessas mobilizações – como o Inad – foi a promulgação da Lei 16.499 Mapa de Ruído Urbano, de 21 de julho de 2016, que instituiu a obrigatoriedade de implantação do mapa de ruído no município de São Paulo e que, na época, determinou ao poder executivo, o prazo máximo de 90 dias para regulamentar a lei. Em fevereiro de 2017, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) foi designada responsável pela regulamentação da lei e, com o apoio da ProAcústica, constituiu um grupo gestor com representantes das, Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT), Secretaria Municipal da Saúde (SS), Secretaria Municipal de Educação (SME), Secretaria Municipal das Prefeituras Regionais (SMPR), São Paulo Urbanismo (SPU), Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Até que, no dia 25 de abril, Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído, foi lançado o Mapa de Ruído Urbano Piloto de São Paulo.

O projeto piloto foi elaborado pelo grupo de trabalho GT Mapa de Ruído, do Comitê Acústica Ambiental que vem trabalhando na definição das diretrizes para as melhores práticas no mapeamento acústico bem como na modelagem da área piloto, localizada entre as avenidas Paulista, Brasil, Nove de Julho e a Vinte Três de Maio – para a implementação do mapeamento acústico da cidade de São Paulo. Dos 20 especialistas participantes, três possuem experiência na implantação de mapas de ruídos na Espanha e na França. O lançamento ocorreu com entrada no ar do hotsite www.mapaderuidosp.org.br, que dá acesso a um upload no Google Earth.

Os dados de entrada foram definidos por meio de estudos realizados pelos participantes do GT que, também, colaboraram com medições para a calibração do mapa piloto. Foi utilizado como base o Guia de Boas Práticas Europeu* com uma adaptação de cada parâmetro à realidade brasileira. As diretrizes adequadas à cidade de São Paulo, foram selecionadas pelo GT Mapa de Ruído levando em conta diversos dados de entrada e metodologias, disponíveis nos software que melhor representam a realidade. Com isso, foi selecionada a metodologia Cnossos, cujos dados de entrada incluem número de veículos por hora, veículos pesados e leves, além da velocidade das vias e tipo de pavimentos.

Para visualizar o mapa em uma cidade com as dimensões de São Paulo foram definidas cores para representar o nível de ruído existente nas diferentes regiões. No mapa piloto foram identificadas as fontes de ruído de tráfego urbano, que é o maior causador de problemas de ruído nas metrópoles.

“O mapa de ruído, uma ferramenta de diagnóstico dos problemas sonoros de uma cidade auxilia ainda na identificação de regiões silenciosas”, lembra Juan Frias. Quase todos os centros urbanos tentam controlar o ruído excessivo com limites impostos pela legislação. Com a identificação adequada do problema, seria possível realizar intervenções de forma mais eficiente. “O mapa de ruído também permite realizar estimativas de ações mitigadoras como a troca de pavimento, alteração de fluxo de uma via ou a mudança nos limites de velocidade”, reafirma Frias. Versões futuras do mapa possibilitariam visualizar o impacto de cada medida nas regiões em que a população é afetada. O gerenciamento de tráfego é outra das principais ações relacionada à mitigação de ruídos nas cidades e, nesse aspecto, o mapa de ruído é uma ferramenta importante.

Agora pelo Google Earth, pelo menos na região do piloto, uma busca pelo endereço permite uma avaliação da paisagem sonora local, um “passeio” pelo mapa e a visualização em planta e tridimensional. A avaliação dos níveis de ruído nos locais pode ser realizada para os períodos diurno e noturno. Além disso, é possível ver os níveis de pressão sonora incidentes nas fachadas. Com isso, qualquer pessoa pode utilizar o mapa para visualizar o nível de ruído desse quadrilátero da cidade. Em escala maior, os órgãos públicos são os principais beneficiados. Por meio da ferramenta, poderão elaborar e gerir não só as áreas geradoras de ruídos como as áreas silenciosas, para criar leis de uso e ocupação do solo e zoneamentos acústicos.

(*Good Practice Guide for Stategic Noise Mapping and the Production of Associated Data on Noise Exposure – European Commission Working Group Assessment of Exposure to Noise (WG-AEN) – Aug/2007)

https://www.lfu.bayern.de/laerm/eg_umgebungslaermrichtlinie/doc/good_practice_guide_2007.pdf