ProAcústica lança guia para combater o ruído em academias

Com o aumento expressivo de áreas fitness em prédios residenciais e comerciais, a ProAcústicaapresenta ao mercado o “Guia ProAcústica para o Ruído em Academias: Boas Práticas de Projetos”. A publicação, lançada durante a Feicon 2026, é fruto de dois anos de pesquisas intensas e visa preencher uma lacuna técnica crítica no setor de construção civil.

O desenvolvimento deste guia foi viabilizado pelo esforço conjunto do Comitê de Acústica de Salas, através do Grupo de Trabalho – GT Academias formado por especialistas e diversas empresas do setor. O projeto contou com a coordenação do engenheiro Rafael Schmitt, e o apoio da arquiteta Fabiana Curado Coelho, secretária do grupo junto com os engenheiros Bárbara Fengler e Nélio Lúcio Nascimento, além da colaboração dos arquitetos José Augusto Nepomuceno e Marcos Holtz na revisão do texto. A entrega do manual impresso foi possível graças ao patrocínio das empresas associadas 2KM Engenharia, Aubicon, AVD Anti-Vibrations Dynamics, Diarco, Echo Acústica, Ecofiber, Ecophon Saint-Gobain, Gerb e Vibtech.

O crescimento dos espaços fitness e o desafio do ruído

A prática regular de atividades físicas é crucial para a longevidade, o que impulsiona o crescimento de instalações como academias. Atualmente, no Brasil, cerca de 34% dos consumidores preferem prédios residenciais que ofereçam essa comodidade. No entanto, a diversidade de fontes sonoras – que variam de sistemas de som amplificado a impactos estruturais como queda de halteres e uso de esteiras – torna o planejamento acústico um desafio complexo. Segundo a ProAcústica, as queixas relacionadas a esses ruídos têm crescido significativamente, exigindo atenção especial para evitar que perturbem áreas sensíveis próximas.

O guia surgiu para atender a dúvidas e necessidades de construtores, incorporadores, condomínios, usuários e projetistas em geral, abordando problemas de ruídos frequentemente encontrados em academias de ginástica em diferentes tipos de edificações. “O grupo de trabalho contou com empresas associadas, realizou 11 encontros entre 2023 e 2025 para consolidar o conteúdo apresentado no Guia”, segundo Rafael Schmitt.

Um dos grandes diferenciais do guia é a análise detalhada de como cada atividade física gera um esforço dinâmico distinto. O documento classifica os ruídos em dois grandes grupos: o ruído aéreo, proveniente de sistemas de som amplificado, essenciais em aulas coletivas, além da voz alta de instrutores e gritos em modalidades como artes marciais. E o ruído de impacto, gerado pelo contato direto com a estrutura, podendo ser repetitivo (como corrida na esteira ou pular corda) ou de alto impacto (como a queda de pesos livres). Fabiana Coelho explica que o tratamento acústico muda completamente dependendo do uso. “Em lutas e artes marciais, há o corpo arremessado ao chão, mas com amortecimento de tatame. Já no crossfit, há o levantamento olímpico, onde uma barra de 40 a 60 kg é solta de cima da cabeça, impactando o chão a uma altura de 1,20 m ou mais”. O guia ainda diferencia impactos de corpo duro (objetos rígidos como halteres e anilhas) e corpo mole (como o corpo humano ou slam balls), que possuem diferentes capacidades de absorção de energia.

Limitações normativas e o “efeito tambor”

Rafael Schmitt aponta que o guia buscou inspiração em referências internacionais avançadas, como as da Austrália e do Reino Unido, para enfrentar desafios que as normas brasileiras atuais ainda não cobrem totalmente. Ele alerta que a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575-3) foca no ruído de pessoas caminhando, o que é insuficiente para academias. “O impacto de um kettlebell a 10 cm do chão gera uma energia muito superior. Quando um objeto pesado cai, ele excita frequências de 20 Hz ou 31,5 Hz, causando o ‘efeito tambor'”, explica Rafael. Por essa razão, o guia recomenda que ruídos de quedas de pesos em academias e boxes de crossfit recebam um projeto de isolamento acústico específico.

Para garantir o conforto acústico, o guia elenca boas práticas essenciais para incorporadoras e projetistas. Por exemplo: evitar que a academia seja posicionada próxima ou sobreposta a dormitórios e outros ambientes sensíveis; utilizar sistemas de piso apropriados e soluções de amortecimento que isolem máquinas e pesos da estrutura da edificação; e estabelecer diretrizes claras no manual de uso, como horários permitidos e a proibição de soltar pesos bruscamente no chão.

Além disso, o Guia ProAcústica para o Ruído em Academias disponibilizou um apêndice com resultados reais de reduções sonoras testadas, servindo de base para decisões seguras de engenharia e elevar o padrão de bem-estar nas edificações brasileiras.

O download do Guia ProAcústica para o Ruído em Academias está disponível gratuitamente no link https://www.proacustica.org.br/guias-proacustica/guia-ruido-academias/